Guia Técnicas de Elicitação de Requisitos¶
Entrevistas¶
É conhecida por ser a mais comum das técnicas de elicitação de requisitos. As entrevistas geralmente envolvem discussões individuais de um representante da equipe com o stakeholder do novo sistema. Devido à capacidade desta técnica para obter conhecimento profundo, é considerada como técnica importante para obter e validar os requisitos de software. É um método verbal, considerado fácil e efetivo para compartilhar ideias e expressar necessidades entre os analistas e os stakeholders. Através de uma conversa, são feitas perguntas e são documentados os fatores que podem estar associados aos requisitos.
As principais características dos Analistas são:
- Estar abertos a novas ideias, evitar ideias preconcebidas sobre os requisitos e estar dispostos a ouvir os stakeholders, mesmo que o stakeholder apresente requisitos-surpresa, eles estão dispostos a mudar de ideia sobre o sistema.
- Estimular o entrevistado a participar de discussões com uma questão-trampolim, uma proposta de requisitos ou trabalhando em conjunto em um protótipo do sistema. É improvável que dizer às pessoas “diga-me o que quiser” resulte em informações úteis. É muito mais fácil falar em um contexto definido do que em termos gerais.
Geralmente as entrevistas são separadas em:
Estruturadas: Entrevistas estruturadas são baseadas em um conjunto fixo de perguntas, juntamente com informações detalhadas. Este tipo permite que os analistas examinem o nível de compreensão que um stakeholder tem sobre determinado tópico. Templates também são parte deste processo que fornece um caminho mais fácil para a elicitação de requisitos.
Não estruturadas: Entrevistas não estruturadas são conversacionais por natureza, onde não é necessário preparar perguntas, e as informações dos stakeholders estão em discussões abertas. São mais úteis quando você quer se concentrar na compreensão de um determinado problema dentro do ambiente que o usuário está inserido.
Semi-estruturada: É uma combinação de perguntas pré-definidas e não planejadas. Em outras palavras, é uma mistura dos tipos estruturado e não estruturado.
O processo de entrevista pode ser resumido em oito passos:
- Identificar o stakeholder a ser entrevistado.
- Se preparar para a entrevista, mesmo se for não estruturada.
- Agendar a entrevista.
- Chegar antes da hora no local determinado.
- Abrir a entrevista.
- Conduzir a entrevista.
- Finalizar a entrevista.
- Fazer o acompanhamento e manter contato.
Inception¶
Objetivo: Workshop colaborativo para alinhar um grupo de pessoas sobre o produto mínimo viável (MVP) a ser construído.
Participantes: Todo o time, bem como stakeholders relevantes, incluindo a equipe mobilizada na etapa do Processo de Gestão de Projetos: Iniciação -> Mobilizar a equipe para Inception.
Duração: 01 semana.
Como funciona: As Inceptions poderão ser realizadas online ou presencial. Logo, a forma de evidenciar poderá ser distinta, como exemplo: Para presencial, caso sejam utilizadas formas manuais como postit, deverá ser centralizados em um documento de resumo, ou utilizado o mesmo processo da Inception Online.
Visão geral sobre cada uma das atividades e o resultado gerado:¶
- Visão do Produto: Visão clara e compartilhada do produto que se deseja construir. Cada integrante do time ou em pequenos grupos, deve ficar responsável por completar uma linha do template abaixo. É normal que as frases fiquem sem uma coerência, assim cabe ao time reescrever o modelo reformulando as frases quando necessário. Template:

- O produto É/NÃO É/FAZ/NÃO FAZ: Trazer as definições do produto de forma mais específica baseado no que já foi definido como visão. Clareza sobre as funcionalidades do Produto, delimitando fronteiras e mapeando possíveis riscos do projeto.

- Backlog de Produto Inicial: Alinhamento sobre o que cada membro do time entendeu sobre a visão do Produto e suas definições, visando a congruência de modo a obter uma visão de Produto definida.
- Construção das Personas envolvidas: São os usuários do sistema, o público alvo da solução. As personas devem ser definidas pelo time, baseando-se no produto a ser construído.

- Jornada do Usuário: Sequência de atividades e passos que o usuário realiza para completar determinada ação e alcançar um objetivo específico. A jornada deve ser detalhada de acordo com o contexto de uso do produto idealizado baseado na trajetória das personas criadas. Deve ser criado uma jornada para cada persona. Caso seja possível, após a criação da Jornada do Usuário criar o Mapa de Empatia, auxiliando a compreender melhor o perfil de nossas personas.

- Revisão Técnica, de Negócio e UX: Verificação de cada funcionalidade sobre o ponto de vista de esforço e confiabilidade para construção, valor para o negócio e experiência para o usuário, de forma a obter clareza sobre o backlog priorizado a ser implementado e o que deve ser descartado. Exemplos:


- Sequenciador: Após o mapeamento das funcionalidades o time deve montar o sequenciador de funcionalidades, que representa várias trilhas chamadas de ondas, numeradas sequencialmente. As funcionalidades mapeadas na jornada devem ser organizadas sequencialmente entre essas ondas, sendo distribuídas logicamente de acordo com a jornada do usuário.

Regra 1: Uma onda pode conter no máximo 3 funcionalidades.
Regra 2: Uma onda não pode conter mais de uma funcionalidades em cartão vermelho.
Regra 3: Uma onda não pode conter três funcionalidades, somente em cartões amarelos e vermelho.
Regra 4: A soma de esforço das funcionalidades não pode ultrapassar 5 E’s.
Regra 5: A soma do valor das funcionalidades não pode ser menos de 4 $’s.
Regra 6: Uma onda tem de conter no mínimo 2 funcionalidades.
Após a distribuição das funcionalidades no sequenciador elas devem ser combinadas seguindo as ondas do sequenciador até que se tenha um conjunto de funcionalidades que dê para disponibilizar para validação de hipótese com o usuário; assim que isto estiver definido e priorizado teremos um MVP. O mesmo deve ser realizado com as demais funcionalidades, seguindo os mesmos critérios, gerando assim os incrementos.

- MVP Canvas: Após a execução de todas as atividades listadas anteriormente, o time já terá insumos para preencher o MVP Canvas. O canvas é dividido em blocos, onde algumas perguntas devem ser respondidas, conforme abaixo:

Outputs (Saída da Inception): São sete os artefatos resultantes da Inception que deverão ser relacionados de modo a gerar o Documento de Definição de Projeto:
- Visão do Produto: Resultante da atividade 1;
- Riscos mapeados do projeto: Resultante da atividade 2;
- Backlog inicial: Resultante da atividade 3;
- Personas envolvidas no Produto: Resultante da atividade 4;
- Mapa de Empatia: Resultante da atividade 5;
- Priorização do Backlog: Resultante das atividades 6 e 7;
- MVP Canvas (Um resumo geral do projeto/produto): Resultante da atividade 8
Design Thinking¶
O Design Thinking é uma metodologia multidisciplinar focada em empatia, experimentação e prototipagem para a criação de produtos, serviços e resolução de problemas.
O processo inicia com a Imersão para entender o público e o problema, seguida pela Análise e Síntese para encontrar padrões.
Na Ideação, a equipe gera soluções, que são rapidamente prototipadas em um Mínimo Produto Viável (MVP) para testes.
As ferramentas incluem o Mapa de Empatia, o Brainstorming, World Café, Co-criação com o cliente, Pesquisa Desk e Gamificação, visando a colaboração e inovação centrada no ser humano.
Fases do Processo:¶
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Imersão: O objetivo é compreender, através de um olhar empático, qual é o cenário do problema enfrentado pela organização e seus clientes, ou o cenário ao qual se deseja inserir um novo serviço ou produto. Os participantes, de forma livre, buscam elementos que os auxiliam a enxergar vários lados de uma mesma situação. É aqui, por exemplo, que há busca por referências sobre temas relacionados e por pontos de vista da empresa e também dos consumidores ou usuários finais. Geralmente, ferramentas como mapa de empatia, entrevistas, e benchmarking são bastante utilizados. Podemos dizer que a primeira etapa equivale a um mergulho em direção ao problema.
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Análise e Síntese: A partir das informações coletadas, o design thinking precisará sintetizar o que foi discutido na etapa anterior para, de fato, delinear o problema. Podemos dizer que é neste momento que há a separação do “joio e do trigo”. O objetivo da análise é entender quais dados, referências e conteúdos compilados agregam valor às estratégias de resolução do conflito, ou contribuem para as estratégias de criação de um novo produto, serviço ou processo.
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Ideação: A ideação compreende a geração de ideias alinhadas com os desafios priorizados na etapa anterior e a apresentação das mesmas, sem julgamento. Portanto, indica-se que os colaboradores pensem fora da caixa e ousem em suas explanações. E é exatamente por isso que o design thinking demanda uma equipe multidisciplinar, diversa e heterogênea. Ferramentas como brainstorming , cardápio de ideias e matriz de posicionamento podem potencializar essa fase. Para tanto, é importante que ninguém se sinta constrangido e que a comunicação ocorra livremente entre os membros do projeto. Nesta ocasião, pontos que precisam ser aprimorados também podem ser identificados.
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Prototipação: Após percorrer todos esses caminhos, a equipe seleciona oficialmente as ideias mais produtivas frente à resolução do problema. Além disso, há a definição dos planos de ação, metas do projeto, bem como a testagem dos protótipos dos produtos e serviços criados. Somente após os testes, que podem conter várias fases e períodos de comparação entre uma opção e outra, é que os colaboradores decidem se uma ideia está apta a ser implementada imediatamente ou deve passar por melhorias.
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Implementação: A última etapa do design thinking é a mais aguardada entre gestores e colaboradores de uma organização. Afinal, é na implementação que a ideia ou solução de problema, desenvolvido por todas as demais fases anteriores, é apresentada ao público. Após a testagem, há a garantia de que o projeto está apto a ser lançado no mercado ou que a solução está pronta para ser utilizada nos processos internos do negócio.
Características Chave:¶
- Centrado no ser humano: Todas as etapas são voltadas para as necessidades das pessoas.
- Colaborativo: Incentiva a participação de diversos membros da equipe para a troca de ideias.
- Iterativo e não-linear: As equipes podem voltar a fases anteriores com base nos insights obtidos durante o processo.
- Experimental: Encoraja a criação de protótipos para testar e aprender com as soluções.
- Otimista: Acredita-se que é possível encontrar soluções inovadoras para os desafios.
Ferramentas Comuns:¶
- Mapa de Empatia: Estrutura a compreensão do cliente, respondendo a perguntas sobre o que ele fala, vê, escuta e sente.

- Brainstorming: Técnica para estimular a geração de um grande volume de ideias em grupo para discutir e apresentar.

- World Café: Promove o diálogo entre diferentes setores e níveis hierárquicos, aproveitando a inteligência coletiva para responder questões de grande relevância para organizações, trocando periodicamente os membros entre as mesas de conversa.

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Co-criação com o cliente: Convida o cliente para participar do processo criativo (ideação e prototipação), gerando insights precisos.
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Pesquisa Desk: Coleta e análise de informações já existentes, como dados de mercado, estatísticas, artigos e publicações, para aprofundar o conhecimento sobre um tópico ou problema, criando uma árvore de temas relacionados. Para preenchê-lo:
- Certezas: são dados que você tem certeza de que representam o seu projeto e a sua empresa.
- Suposições: aqui ficará aquelas informações que você não tem tanta certeza sobre a veracidade ou se ela condiz com o que você irá oferecer.
- Dúvidas: coloque todas as dúvidas que surgirem ao longo dessa análise, seja a respeito da pesquisa secundária ou sobre o seu produto.

- Gamificação: Significa selecionar características inerentes dos jogos e seus mecanismos, como por exemplo, pontuação, recompensa, emblemas, níveis de fases, entre outros, e aplicá-los em outros contextos.
